Produção original da Prime Video ambientada no presídio Tremembé leva o crime-famoso para além da notoriedade e mergulha em hierarquias, isolamento e rotina carcerária.
A nova produção da Prime Video, “Tremembé”, conta com cinco episódios focados na rotina da Penitenciária Doutor José Augusto César Salgado (Tremembé II), instituição conhecida como o “presídio dos famosos” por receber detentos de grande repercussão nacional. A série abandona a lógica de investigação do crime para investigar o que permanece após a condenação: as relações de poder, os silêncios forçados e a tensão constante entre presos e sistema penal.
A atriz Marina Ruy Barbosa assume o papel de Suzane von Richthofen em uma das performances mais elogiadas nos últimos tempos. Sua personagem chega à instituição após uma rebelião e, a partir desse ponto, a narrativa mede forças entre notoriedade, punição e adaptação ao cárcere. O ambiente retratado é tratado como microcosmo: há rédeas, cordões invisíveis de comando, favores e dependências.
Rápida mas direta
Com apenas cinco capítulos, cada episódio narra a trajetória de um indivíduo envolvido em crimes de grande repercussão nacional, o que confere à produção um tom mais direto, objetivo e sem amarras narrativas. A proposta é mergulhar na subjetividade dos detentos e nas dinâmicas internas do sistema prisional, revelando camadas de poder, medo e adaptação.
Críticos destacam que a série evita a glamorização e investe em um olhar desconfortável sobre a prisão. Em vez de se deter no crime, aborda o que sobra: “Não há crime a desvendar, nem reconstituição para reviver; o foco é o que resta”, afirma a crítica.
No entanto, a repercussão foi dividida. Internautas elogiam a qualidade técnica e o tom contido, que “não romantiza, só mostra a realidade”. Por outro lado, personagens reais retratados na série manifestaram discordância. Cristian Cravinhos, por exemplo, declarou em redes sociais: “A série é mentirosa! Tudo pelo ibope.”
A produção também levanta questões sobre o verdadeiro retrato do sistema prisional brasileiro, apontando falhas estruturais e dilemas éticos: como contar essas histórias sem adular criminosos nem desumanizar pessoas condenadas? O realismo das cenas e o desafio de equilibrar fato, ficção e responsabilidade coloca Tremembé em um terreno perigoso e instigante ao mesmo tempo.
Para o público e para o debate cultural, a série oferece mais do que entretenimento: oferece uma janela para o cotidiano de um sistema que funciona à margem da visibilidade. Ela também confronta a audiência com a própria curiosidade pelo “crime famoso” e como essa curiosidade muitas vezes se transforma em espetáculo.








