A recente escalada militar entre Estados Unidos e Irã, com participação de Israel, foi motivada por ataques aéreos conjuntos contra instalações nucleares e alvos estratégicos iranianos, visando frear o programa nuclear do Irã.
O conflito atingiu o auge com a morte do Líder Supremo Ali Khamenei, e as repercurssões da guerra repercutem mundialmente. Mas por que?
No Brasil, por exemplo, teme-se um aumento no preço da gasolina. Isso acontece porque o mercado de petróleo é global: quando há tensão em regiões estratégicas de produção ou transporte, como no caso do Irã, o impacto se espalha rapidamente para todo o mundo.
O papel do petróleo no preço da gasolina
A gasolina é produzida a partir do petróleo refinado. Por isso, quando o preço do barril sobe no mercado internacional, o custo de produção dos combustíveis também tende a aumentar.
Em momentos de conflito no Oriente Médio, investidores temem interrupções no fornecimento de petróleo. Esse receio eleva os preços no mercado internacional, mesmo antes de ocorrer uma escassez real.
Por que o Irã é tão importante nesse mercado
O Irã está localizado em uma região estratégica para o comércio global de petróleo. Grande parte da produção mundial passa pelo Estreito de Ormuz, situado entre o Irã e Omã.
O Estreito é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, ligando o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Por ele passa cerca de 20% do petróleo consumido globalmente, tornando-o um ponto crucial para a economia e energia mundial.
Se a guerra bloquear ou ameaçar essa passagem, o transporte de petróleo pode ser interrompido ou encarecido. Com menor oferta ou maior risco logístico, o preço do barril sobe rapidamente.
Como isso chega ao Brasil
Mesmo sendo produtor de petróleo, o Brasil não está totalmente isolado do mercado internacional. O país ainda importa parte dos derivados de petróleo, como diesel e gasolina.
Por isso, quando o barril se valoriza no exterior, as distribuidoras e refinarias brasileiras passam a pagar mais caro pelo combustível ou por seus componentes. Essa pressão acaba refletindo, direta ou indiretamente, no preço final pago pelo consumidor.
O papel da Petrobras
A Petrobras afirma que irá suavizar parte dessas oscilações. Desde 2023, a empresa abandonou a política de paridade automática com os preços internacionais, o que permite segurar reajustes por algum tempo e considerar fatores internos antes de repassar aumentos.
A Petrobras afirmou que trabalha para reduzir a transmissão imediata dessas oscilações para os consumidores brasileiros. Mesmo assim, essa estratégia tem limites. Se o petróleo permanecer caro por um período prolongado, fica difícil manter os preços domésticos muito abaixo do mercado global.
Em nota, a empresa informou que a estratégia comercial atual permite considerar fatores como logística e capacidade de refino na definição dos preços, mas que não se apressará para divulgar decisões sobre reajustes.
O que compõe o preço da gasolina no Brasil
O valor pago pelo consumidor não depende apenas da Petrobras. Em média, o preço da gasolina inclui vários componentes:
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cerca de 28% referentes ao valor definido pela Petrobras
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aproximadamente 25% de imposto estadual
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cerca de 11% de impostos federais
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cerca de 16% referentes ao etanol misturado à gasolina
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cerca de 20% de custos de distribuição e revenda
Isso significa que mudanças no preço do petróleo afetam apenas uma parte da composição, mas ainda assim têm grande influência no valor final.
Impactos além do posto de combustível
A alta da gasolina e do diesel pode pressionar toda a economia. Como o transporte depende desses combustíveis, o aumento tende a elevar custos logísticos e de produção.
Esse efeito pode contribuir para o aumento da inflação e influenciar decisões econômicas importantes, como a definição da taxa básica de juros pelo Banco Central.
O que pode acontecer agora
O comportamento da gasolina no Brasil dependerá principalmente da evolução do conflito.
Se as tensões no Oriente Médio diminuírem e rotas como o Estreito de Ormuz forem normalizadas, o preço do petróleo tende a cair.
Mas se o conflito se intensificar ou bloquear o transporte de petróleo, a pressão sobre os combustíveis pode continuar. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou em coletiva com jornalista em Brasilía, que o governo acompanha a situação, mas defendeu cautela antes de qualquer decisão.








