Nikolas Ferreira pede demissão de “extremistas de esquerda” e critica universidades

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) usou as redes sociais para defender a demissão de funcionários que, segundo ele, “celebram, apoiam ou incentivam a morte de adversários políticos”. O parlamentar afirmou que empresas devem ter liberdade para desligar essas pessoas, incluindo servidores públicos.

“Se você conhece algum funcionário que celebra, apoia ou incentiva a morte de oponentes políticos, especialmente se for servidor público, denuncie”, escreveu Nikolas no X (antigo Twitter).

Essa incitação, porém, vai contra o artigo quinto da constituição. Segundo a lei federal 9.029/95, demitir pessoas por motivos políticos é crime

O deputado também criticou universidades, que classificou como “laboratórios de degeneração moral”. Para ele, as instituições de ensino formam indivíduos que “desejam ou incentivam matar pessoas inocentes por desavença política”.

Nikolas ainda compartilhou prints de publicações de internautas que teriam comemorado a morte do ativista norte-americano Charlie Kirk, morto recentemente em um evento político nos Estados Unidos. Segundo o parlamentar, tais manifestações são exemplo do “extremismo de esquerda” que ele pretende combater.

Prioridade invertida

Enquanto o viés teórico é pauta repercutida, os números mostram uma realidade ignorada. De acordo com o Censo 2022 do IBGE, cerca de 62% da população brasileira vive com até dois salários mínimos, valor que não garante mais do que o essencial. Essa parcela enfrenta diariamente transportes públicos lotados, insegurança alimentar e dificuldade para fechar as contas no fim do mês.

Nesse cenário, a disputa ideológica que demoniza grupos políticos alimenta a narrativa de que parte da população “merece sofrer” por ser “esquerdista, folgada ou desmoralizada”. No falso discurso da meritocracia, políticos como Nikolas Ferreira acabam ignorando justamente aqueles que deveriam representar: a maioria que luta para sobreviver.

Vale lembrar que um parlamentar, ao tomar posse, faz juramento de cumprir a Constituição e trabalhar pelo bem comum (artigo 59 do Regimento Interno da Câmara dos Deputados). Ao incitar divisões, em vez de propor soluções, reforça-se a distância entre o cargo público e a realidade de quem sangra diariamente para manter o básico.

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Larissa Crippa

Jornalista com experiência tanto em hard quanto soft news, além de assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes. Já passou por grandes portais, como R7, Terra e Estadão. Atualmente atua como repórter e editora.

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