“Como matar uma mulher sem deixar rastros?” pergunta foi feita ao Google milhões de vezes; entenda

Como matar uma mulher sem deixar rastros? Perguntas desse cunho foram feitas 163 milhões de vezes no Google ano passado.

Os dados compõem uma realidade onde quatro mulheres morrem por dia no Brasil vítimas de feminicídio. Entre 2020 e 2024, foram registrados anualmente entre 1.355 e 1.459 feminicídios, conforme o Observatório da Mulher contra a Violência do Senado.

Por que feminicídio? Não seria só um homicídio “comum”?

Mesmo com dados significativos e casos noticiados de violência contra a mulher diariamente, ainda tem quem propague argumentos como “ah, mas se pesquisar quantos homens morrem por dia dá até mais”, “isso de feminicídio é besteira, matou alguém, independente de quem seja, é um assassinato”, ignorando que mulheres têm sido mortas simplesmente por serem mulheres. 

Mesmo que o país registre mais de 33 mil a 45 mil homicídios masculinos anualmente, segundo a ONU, as causas variam entre envolvimento com o tráfico de drogas, conflitos interpessoais (discussões), violência de gênero e alta disponibilidade de armas de fogo, enquanto mulheres morrem em sua maioria simplesmente por serem mulheres. Por dizerem não para homens. Por terminarem com parceiros que não desejam mais. Por exercerem seu livre arbítrio. 

Em termos formais: homicídio é o ato geral de tirar a vida de alguém, enquanto o feminicídio é uma qualificadora do homicídio (crime hediondo) ocorrido quando a vítima é morta especificamente por razões da condição de sexo feminino, incluindo violência doméstica, familiar ou desprezo/discriminação à mulher. 

Nem toda morte de mulher é feminicídio, realmente, mas Segundo a OMS- Organização Mundial da Saúde, o Brasil é o quinto país que mais mata mulheres no mundo, quase sempre elas são vítimas de companheiros ou familiares, classificando assim o crime como por razão de gênero.

Como parar o ciclo de violência?

Segundo a ONU Mulheres, romper a violência de gênero passa por uma combinação de esforços coletivos e escolhas individuais voltadas à proteção e à autonomia. 

Esse processo começa na infância, com a formação de meninos e meninas para relações mais justas, baseadas em respeito, empatia e divisão de responsabilidades, desconstruindo modelos de masculinidade que relacionam autoridade ao uso da força.

A reeducação, principalmente de homens, é essencial. Recentemente, o Governo Brasileiro iniciou a campanha “todos por todas” contra o feminicídio, visando atingir o público masculino.  A necessidade de agir na raiz da questão, parando potenciais agressões, não exclui a necessidade da própria mulher estar sempre ciente de seus direitos.

O que fazer ao identificar um relacionamento abusivo?

Para mulheres que vivem, ou desconfiam estar vivendo, situações abusivas, identificar comportamentos como controle excessivo, isolamento social, humilhações recorrentes e ciúme excessivo é um passo essencial. 

Procurar uma rede de apoio, seja entre amigas, familiares, profissionais de saúde, CRAS ou CREAS, Defensoria Pública e grupos de mulheres, contribui para quebrar o isolamento que mantém o ciclo de violência.

Especialistas também destacam a importância de reunir provas das agressões, buscar atendimento médico, registrar ocorrência policial e solicitar medidas protetivas sempre que possível. 

Outro ponto central é o fortalecimento da autonomia financeira, por meio da educação, do trabalho e do acesso a políticas públicas, reduzindo situações de dependência e vulnerabilidade.

Onde e como denunciar — por você ou por outras mulheres

Tanto a própria vítima quanto terceiros podem denunciar pelo telefone 180, que funciona 24 horas por dia, oferecendo orientação sobre direitos, informando serviços de proteção e encaminhando denúncias aos órgãos competentes.

Em casos de perigo imediato, o contato mais rápido é o 190, da Polícia Militar. As Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) realizam o registro da ocorrência, solicitam medidas protetivas e encaminham a vítima para atendimento jurídico, social e psicológico, conforme previsto em lei. 

Quando há risco extremo e necessidade de deixar o domicílio, casas-abrigo e centros de acolhimento — mantidos por governos e organizações parceiras — garantem proteção temporária e sigilo.

As Defensorias Públicas oferecem assistência jurídica gratuita, e os serviços de saúde têm a obrigação de notificar casos de violência e acionar a rede de proteção. Denunciar é um direito, e buscar apoio é um passo decisivo para interromper a violência e assegurar proteção imediata. Ligue 180 ou 190.

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Larissa Crippa

Jornalista com experiência tanto em hard quanto soft news, além de assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes. Já passou por grandes portais, como R7, Terra e Estadão. Atualmente atua como repórter e editora.

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