São Paulo recebe neste sábado (20), das 11h às 21h, no Tendal da Lapa, a 4ª edição do Festival Baile na Terra, que desde 2022 se tornou referência ao unir cultura, música e debates sobre a crise climática. Em 2025, ano em que a Amazônia será palco da COP30, o evento adota o tema “A Hora da Onça Beber Água”, destacando a onça-pintada como símbolo de resistência indígena, guardiã dos biomas brasileiros e indicadora da saúde dos ecossistemas.
Com entrada gratuita, o festival reúne artistas de diversas regiões do país, cruzando estilos que vão do carimbó ao manguebeat, do reggae ao pop. A abertura será marcada pelo cortejo do Bloco do Água Preta, que celebra há mais de uma década o rio de mesmo nome e chega ao festival em clima de carnaval fora de época.

Um dos pontos altos da programação é o encontro inédito entre Felipe Cordeiro, expoente da guitarrada paraense, e Lúcio Maia, ícone do manguebeat, em uma apresentação que simboliza o diálogo entre Amazônia e Mata Atlântica através do som das guitarras. O line-up inclui ainda o afrofuturismo de Edgar, a potência ancestral de Kaê Guajajara e o coletivo indígena Kanewi, da etnia Kariri Xocó, que leva ao palco cantos e danças tradicionais dos Torés Fulkaxós.
Além dos shows, o Baile na Terra promove oficinas, feira de produtos indígenas em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA), gastronomia agroecológica assinada pela Cozinha da Ocupação 9 de Julho, cortejos, debates e ações de conscientização ambiental. A infraestrutura do evento reflete o compromisso com a sustentabilidade, oferecendo água gratuita, copos reutilizáveis e gestão de resíduos.
Segundo Jonaya de Castro, diretora do festival, a proposta é transformar a arte em ferramenta de mobilização: “O Baile na Terra é mais do que um festival, é um chamado coletivo para debater o clima a partir da cultura. Queremos inspirar ação e engajamento, especialmente neste ano em que a COP30 volta os olhos do mundo para a Amazônia e para o Brasil”.
A identidade visual de 2025 foi criada pelo artista indígena Denilson Baniwa, que trouxe novamente a onça como elemento central, representando força, resistência e ancestralidade.

A programação se estende ao longo do fim de semana, com o lançamento da revista Febre 02 na sexta-feira (19) e o cortejo Unidos pelo Clima, no domingo (21), na Avenida Paulista.
Desde sua estreia, o Baile na Terra já mobilizou milhares de pessoas em São Paulo e reuniu nomes como Gaby Amarantos e Russo Passapusso, além de coletivos indígenas e artistas da floresta. A cada edição, o festival reforça a ideia de que celebrar a cultura é também um ato de resistência e um caminho para repensar a relação da sociedade com a natureza.

Programação 2025:
11h – Bloco do Água Preta (chegada no Tendal 14h)
14h – Toré Fulkaxó com Coletivo Kanewi
15h – Edgar
17h – Kaê Guajajara
19h – Felipe Cordeiro e Lucio Maia Trio
DJ Lys e DJ Raiz nos intervalos
Exposição e Arte: mostra inspirada na história e simbologia da onça-pintada
Gastronomia e Feira: Cozinha da Ocupação 9 de Julho (menu orgânico e agroecológico) e produtos indígenas do Instituto Socioambiental (ISA)
20 de setembro, das 11h às 21h.
Tendal da Lapa: R. Guaicurus, 1100 – Água Branca, São Paulo – SP.








