Paralisação nacional dos petroleiros atinge unidades estratégicas da estatal, mas empresa afirma que produção e abastecimento seguem garantidos
A Petrobras enfrenta uma paralisação de grande porte deflagrada pelos trabalhadores na madrugada desta segunda-feira, afetando operações em seis refinarias e 16 plataformas de produção de petróleo espalhadas por diversas regiões do Brasil. A mobilização, anunciada pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), ocorre em meio a um impasse nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho, após semanas de tentativas frustradas de conciliação entre a estatal e os sindicatos da categoria.
Segundo balanços divulgados pelos sindicatos, a paralisação atingiu importantes unidades de refino, como a Regap em Minas Gerais, a Reduc no Rio de Janeiro, a Replan e a Recap em São Paulo, além da Revap e da Repar no Paraná todas sem a troca regular de turnos, o que obriga a Petrobras a acionar equipes de contingência em muitas delas. O movimento também atingiu plataformas localizadas na Bacia de Campos (RJ) e no Espírito Santo, além de campos terrestres, unidades da Transpetro e terminais estratégicos, como o de Coari, no Amazonas.
A greve foi aprovada após rejeição por parte dos trabalhadores da segunda contraproposta apresentada pela Petrobras, considerada insuficiente em relação a temas centrais como a solução para o déficit dos Planos de Equacionamento de Déficit (PEDs) da Petros que preocupa aposentados e pensionistas e questões relacionadas à estrutura de cargos e salários.
Sem Impacto
Apesar da adesão ampla ao movimento, a Petrobras garantiu em nota que, até o momento, a paralisação não gerou impacto na produção de petróleo e derivados, nem no abastecimento ao mercado interno, graças à ativação de planos de contingência e equipes remanescentes que continuam a operar as unidades críticas. A estatal ressaltou que as negociações com as entidades sindicais permanecem em curso, com o objetivo de encontrar uma solução que encerre o impasse.
O cenário atual coloca mais pressão sobre as negociações, já que, historicamente, greves de longa duração em setores estratégicos como o de petróleo podem gerar repercussões não só econômicas, mas também políticas, elevando o debate sobre condições de trabalho, políticas de remuneração e papel da Petrobras como empresa pública. Observadores do setor destacam que, se a paralisação se estender por um período prolongado, as medidas de contingência podem não ser suficientes para evitar impactos operacionais e industriais mais severos, com potenciais efeitos no abastecimento de combustíveis e no preço dos derivados em diferentes regiões do país.








