Investigação expõe contrato de R$ 129 milhões com escritório de Viviane Moraes

Documentos da Polícia Federal revelam que o Banco Master firmou um contrato de R$ 129 milhões com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, levantando novos questionamentos sobre o caso e seus desdobramentos.

Documentos obtidos pela Polícia Federal no celular do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, revelam que o banco firmou com o escritório de advocacia liderado por Viviane Barci de Moraes um contrato cujo valor global chegava a impressionantes R$ 129 milhões. Essa cifra correspondia a pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões durante 36 meses, com início previsto para 2024.

O acordo não indicava um caso ou processo específico. Em vez disso, previa que o escritório representasse o banco em diversas frentes, conforme a necessidade, conferindo-lhe um escopo amplo e genérico.

Fontes internas da investigação afirmam que os pagamentos ao escritório da advogada eram tratados como prioridade pelo controlador do banco. Entretanto, como o Banco Master foi submetido à liquidação extrajudicial pelo Banco Central do Brasil antes de completar os repasses, não está claro quanto desse valor previsto de fato chegou a ser pago.

O caso chamou atenção pelo enorme montante envolvido e pela proximidade entre o nome do banco investigado e familiares de uma figura de destaque no Judiciário.

A investigação continua

Apesar disso, até o momento, não há indícios públicos de que o escritório de Viviane Barci de Moraes esteja diretamente envolvido na suposta fraude financeira que motivou a Operação Compliance Zero.

Relatórios recentes apontam que a advogada não responde a processos relacionados ao Master no Supremo Tribunal Federal (STF).

Autoridades da PF estimam que as fraudes atribuídas ao Banco Master podem alcançar cerca de R$ 12 bilhões, envolvendo emissão de títulos de crédito falsos e venda de carteiras sem lastro, entre outras irregularidades.

Conflito de interesse

A revelação reacendeu debates públicos sobre conflito de interesses, independência judicial e transparência no sistema financeiro. Embora firmar contratos de advocacia não seja, por si só, ilegal, o tamanho do negócio e o contexto de investigação levantam questionamentos sobre critérios de governança e a percepção de eventual favorecimento.

A PF segue investigando a fundo o que motivou os pagamentos e quais serviços de fato foram prestados ao banco. A apuração também mira descobrir se houve direcionamento irregular de recursos ou favorecimento indevido.

A defesa de Vorcaro e representantes do escritório de Viviane Barci foram procurados, mas não emitiram resposta oficial até o momento.

 

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Emerson Novais

Jornalista com experiência em redação, apuração, entrevistas, cobertura esportiva e produção de conteúdo multimídia. Além de fotógrafo, com foco em registros esportivos e culturais.

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