Violência contra mulheres volta às manchetes: por que os casos aumentam e o que precisa mudar?

Nos últimos dias, dois casos brutais de agressão contra mulheres chocaram o Brasil e reacenderam o debate sobre a escalada da violência de gênero no país. Em Natal (RN), uma mulher sobreviveu após levar 61 socos do ex-companheiro. Um mês após a agressão, ela afirma estar “se reerguendo”, mas ainda enfrenta traumas físicos e psicológicos. Em Santos (SP), uma médica foi espancada pelo namorado, um fisiculturista, após uma crise de ciúmes envolvendo um amigo gay. A vítima relatou que o agressor a atacou violentamente, deixando-a com hematomas e lesões graves. 

Por que esses casos continuam acontecendo?

Especialistas, como antropólogos e sociólogos da Universidade de São Paulo (USP), apontam que a violência contra a mulher é estrutural e alimentada por machismo, cultura de posse e ausência de políticas eficazes. O Brasil registrou 1.410 feminicídios em 2024, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, um aumento em relação a 2023. Além disso, a cada 7 horas uma mulher é vítima de feminicídio no país.

O perfil dos agressores segue um padrão: homens próximos, geralmente parceiros ou ex-companheiros. Mais de 80% dos casos acontecem dentro de casa.

O que está sendo discutido no Congresso?

Nesta semana, o Senado Federal debate medidas para enfrentar a violência contra a mulher. Na terça-feira (26), haverá uma sessão específica sobre as causas do aumento de feminicídios e possíveis soluções para a violência doméstica. Entre as propostas em pauta:

  • Aperfeiçoamento da Lei Maria da Penha, com respostas mais rápidas a medidas protetivas.

  • Ampliação do uso de tornozeleiras eletrônicas para agressores.

  • Investimento em casas-abrigo e apoio psicológico para vítimas.

  • Programas de reeducação para agressores, obrigatórios em casos de reincidência.

O que precisa ser feito com urgência?

Aumentar a rede de proteção: mais delegacias especializadas, juizados e canais de denúncia acessíveis 24h. Monitoramento rigoroso e fim da impunidade: agressores que descumprem medidas protetivas devem ser presos imediatamente, garantindo que não possam atacar novamente suas vítimas. É essencial aumentar as penas para crimes de violência contra a mulher. Além disso, precisamos implementar um monitoramento contínuo, usando recursos tecnológicos e acompanhamento policial próximo, para garantir que os agressores cumpram as restrições impostas. Devemos cobrar do poder judiciário celeridade na aplicação da lei, da polícia rigor na fiscalização das medidas protetivas e do Estado políticas públicas que priorizem a segurança das mulheres. Educação para prevenção: incluir debates sobre gênero e respeito nas escolas e campanhas permanentes, que conscientizem sobre sinais de relacionamento abusivo e incentivo à denúncia.

O que fazer se você está em situação de risco?

Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher (funciona 24h).
Ligue 190 em caso de emergência.
Aplique a medida protetiva: peça na delegacia ou via aplicativo do TJ do seu estado.
Busque apoio psicológico – existem serviços gratuitos via SUS e ONGs.
Crie uma rede de segurança: avise amigos e familiares, compartilhe localização, tenha um plano de fuga.

A conexão com a violência digital

Os debates também envolvem a Política Nacional de Educação Digital, que será discutida nesta quarta-feira (27). O objetivo é reduzir a exposição de mulheres a ataques virtuais, um fenômeno que se soma à violência física. Muitas vítimas relatam perseguição online, exposição íntima e chantagem como parte do ciclo abusivo.

 

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Larissa Crippa

Jornalista com experiência tanto em hard quanto soft news, além de assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes. Já passou por grandes portais, como R7, Terra e Estadão. Atualmente atua como repórter e editora.

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