Decisão judicial afasta Rodrigo Manga por 180 dias após indícios de irregularidades em contratos municipais; prefeito nega acusações e diz ser alvo de perseguição política.
A Justiça afastou Rodrigo Manga, o prefeito de Sorocaba, do cargo por 180 dias após identificar indícios de irregularidades em contratos públicos investigados pelo Ministério Público, que apontou possíveis favorecimentos em licitações, desvios de finalidade e uso inadequado de recursos. A decisão, de caráter cautelar, foi tomada para evitar interferência na coleta de provas e garantir a continuidade das investigações.
A Justiça destacou que a determinação não representa uma condenação, mas uma ação cautelar, tomada após a análise de documentos e depoimentos reunidos pelo Ministério Público, que indicariam práticas administrativas incompatíveis com os princípios legais e de impessoalidade.
O objetivo, segundo o despacho, é preservar a integridade da investigação e impedir qualquer tipo de pressão sobre servidores envolvidos no processo.
O prefeito TikToker
Rodrigo Manga, conhecido pelo estilo de gestão fortemente ancorado nas redes sociais e por uma comunicação direta com a população, tornou-se uma das figuras políticas mais influentes de São Paulo ao defender pautas de segurança pública, saúde e obras de infraestrutura.
Sua projeção estadual se consolidou com o discurso de modernização dos serviços municipais, embora, nos últimos meses, o prefeito já enfrentasse desgaste político diante de conflitos com vereadores e questionamentos de órgãos fiscalizadores sobre contratos de alto valor firmados pela administração.
Alinhado a grupos conservadores e presente em debates de impacto regional, Manga ampliou sua visibilidade, mas também passou a ser alvo de maiores críticas do público. Com a decisão da Justiça que afastou o prefeito, o vice-prefeito Fernando Neto assumiu o comando da prefeitura e mantém o funcionamento da administração enquanto as investigações continuam.
O posicionamento do prefeito após o afastamento
Após a decisão, Rodrigo Manga classificou o afastamento como injusto e afirmou que vai recorrer imediatamente. Em nota divulgada por sua assessoria, ele declarou que todas as contratações firmadas por sua gestão seguiram os trâmites legais e que está sendo vítima de perseguição política. Manga reforçou que nunca impediu investigações e que sempre colaborou com órgãos fiscalizadores. Ele também afirmou confiar que o Judiciário reverterá a decisão ao analisar os fatos “com a serenidade necessária”.
O prefeito afastado argumentou ainda que a medida prejudica a continuidade de programas em andamento na cidade, especialmente em áreas como saúde e assistência social. Mesmo assim, assegurou que respeitará o processo legal e que usará todos os meios jurídicos disponíveis para provar sua inocência. O Ministério Público, por sua vez, afirmou que o afastamento não está baseado em motivação política, mas em elementos técnicos coletados durante meses de apuração.
A prefeitura segue funcionando sob comando interino, enquanto a cidade observa um dos momentos mais tensos da política local nos últimos anos, com desdobramentos que podem definir os rumos da administração municipal e impactar futuras disputas eleitorais.








