Quem é Paul Biya, o presidente há mais tempo governando um país no mundo

Reeleito aos 92 anos o presidente Paul Biya se mantém no poder há mais de quatro décadas em Camarões

Paul Biya, presidente de Camarões desde 1982, foi reeleito para o oitavo mandato consecutivo aos 92 anos, consolidando-se como o líder não monarca há mais tempo no poder em todo o mundo. O anúncio oficial foi feito pela Corte Constitucional após as eleições realizadas em 12 de outubro de 2025, nas quais Biya obteve 53,66% dos votos válidos.

O resultado reacende o debate internacional sobre os limites democráticos no país africano e o futuro de uma nação governada há mais de quatro décadas pela mesma figura política.

Nascido em 13 de fevereiro de 1933 na vila de Mvomeka’a, no sul dos Camarões, Biya iniciou a carreira política ainda nos anos 1960, após estudar Direito Público e Ciências Políticas em Paris. Tornou-se primeiro-ministro em 1975 e assumiu a presidência em 1982, após a renúncia inesperada de Ahmadou Ahidjo, seu antecessor e mentor político.

Desde então, consolidou um estilo de liderança marcado pela centralização do poder e pela força do partido que o sustenta, o Cameroon People’s Democratic Movement (CPDM).

Promessas a serem cumpridas ou não

Durante seus primeiros anos no cargo, Biya prometeu modernizar as instituições e descentralizar o governo, mas o que se observou foi um fortalecimento gradual do controle estatal e a limitação da oposição. Em 2008, uma emenda constitucional aprovada por seu partido eliminou o limite de mandatos presidenciais, garantindo-lhe o direito de disputar eleições indefinidamente.

Com esse movimento, o presidente transformou Camarões em um dos países africanos com menor alternância de poder. Ainda que o sistema multipartidário exista desde os anos 1990, críticos afirmam que a oposição atua em condições desiguais e enfrenta restrições para se organizar.

A mais recente eleição foi marcada por denúncias de fraude e tensões políticas. O principal opositor de Biya, Issa Tchiroma Bakary, declarou ter obtido 35,19% dos votos e pediu auditoria no processo. A abstenção atingiu cerca de 57% do eleitorado, e confrontos registrados antes do anúncio oficial deixaram ao menos quatro mortos, segundo agências internacionais.

A longevidade política de Biya reflete tanto a estabilidade relativa do país quanto a falta de renovação institucional. Embora Camarões apresente crescimento econômico em alguns setores, ainda enfrenta pobreza estrutural, desemprego elevado e graves desigualdades regionais. O presidente também convive com pressões internas, como o conflito nas regiões anglófonas  iniciado em 2016 e a presença de grupos extremistas ligados ao Boko Haram no norte do território.

Camaroneses esperam um futuro incerto

Com saúde debilitada e idade avançada, Biya inicia um novo ciclo de governo cercado de dúvidas sobre quem será seu sucessor e de que forma ocorrerá a transição de poder. Analistas internacionais destacam que, embora mantenha relativa estabilidade em meio a crises no entorno africano, o país enfrenta crescente descontentamento de uma população majoritariamente jovem, mais de 70% dos camaroneses têm menos de 35 anos e nunca conheceram outro governante.

O novo mandato, previsto até 2032, reforça a posição de Paul Biya como um dos líderes mais duradouros da história contemporânea, mas também aprofunda o questionamento sobre o futuro democrático dos Camarões.

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Emerson Novais

Jornalista com experiência em redação, apuração, entrevistas, cobertura esportiva e produção de conteúdo multimídia. Além de fotógrafo, com foco em registros esportivos e culturais.

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