Um assalto digno de série de Netflix ocorreu na manhã da última terça-feira (8) em um prédio comercial na Avenida Marquês de São Vicente, na Barra Funda, zona oeste de São Paulo. O crime, que deixou um prejuízo estimado em mais de R$ 2 milhões, foi executado por um grupo de pelo menos quatro homens armados e, segundo investigadores, teria sido inspirado na série espanhola La Casa de Papel.
O arrastão começou por volta das 7h14, quando os criminosos invadiram o edifício localizado em frente ao Fórum Trabalhista Ruy Barbosa. Durante cerca de duas horas e meia, eles renderam funcionários, seguranças e empresários que chegavam ao local para trabalhar. Testemunhas relataram que os assaltantes agiram com calma e pareciam ter um plano detalhado, com cada um desempenhando uma função específica.

Segundo a investigação conduzida pelo 23º Distrito Policial (Perdizes), o grupo teria estudado previamente a rotina do prédio e o funcionamento das empresas instaladas ali. As câmeras de segurança registraram a entrada e a saída dos suspeitos, que fugiram levando joias, relógios de luxo, dinheiro em espécie e equipamentos eletrônicos.
Até agora, a Polícia Civil prendeu três suspeitos. Os presos — um homem de 48 anos, um jovem de 18 e uma mulher de 32 — foram detidos na zona leste da capital na quarta-feira (8). Segundo as investigações, o grupo fazia parte de uma quadrilha que invadiu o edifício, fez 15 funcionários reféns e roubou cerca de R$ 2 milhões em bens e transferências via PIX.
Para entrar no prédio, os criminosos usaram distintivos falsos da Polícia Civil e se passaram por delegados. Imagens das câmeras de segurança mostram o momento em que três dos quatro assaltantes entram pelo estacionamento por volta das 7h30, sobem até o 21º andar e invadem uma empresa de engenharia.
Durante quase duas horas, os criminosos renderam os funcionários, cortaram o cabelo de uma das vítimas e obrigaram uma funcionária do setor financeiro a realizar diversas transferências. Eles também roubaram uma arma de fogo guardada no cofre da empresa.
De acordo com a polícia, o grupo tinha informações privilegiadas sobre a rotina da empresa e até fotos dos funcionários, o que indica um planejamento detalhado. Os criminosos sabiam que naquele dia haveria uma reunião de sócios e gerentes, o que reforça a suspeita de envolvimento de pessoas com acesso interno às informações.
A Polícia Técnico-Científica realizou perícia no local e encontrou pistas que ajudaram a identificar os suspeitos. Parte do dinheiro transferido já foi recuperada, mas as investigações continuam para localizar outros integrantes da quadrilha e o valor total subtraído.“Foram colhidas provas no prédio, que serão encaminhadas à Polícia Civil para definir o montante exato roubado, as transferências feitas e a arma levada pelos criminosos”, afirmou o tenente-coronel Helder Antônio de Paula, da Polícia Militar.
Nem a empresa vítima nem o condomínio quiseram se pronunciar sobre o caso. A polícia segue em busca dos demais envolvidos e tenta esclarecer quem forneceu as informações internas que facilitaram o roubo.








