Após dois anos de um dos conflitos mais intensos da história recente do Oriente Médio, israelenses e palestinos celebraram nesta quinta-feira (9) o anúncio de um cessar-fogo e de um acordo sobre reféns, que marca a primeira fase do plano de paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para encerrar a guerra em Gaza.
O entendimento, mediado com apoio do Egito, do Qatar e da Turquia, prevê a libertação gradual de reféns israelenses e de prisioneiros palestinos, além da retirada parcial das tropas de Israel da Faixa de Gaza. Embora o cessar-fogo ainda não esteja formalizado, a expectativa é que os ataques cessem nas próximas 24 horas, após a ratificação do acordo pelo governo israelense.
Na Faixa de Gaza, onde mais de 2 milhões de pessoas foram deslocadas pelos bombardeios, a população foi às ruas devastadas para comemorar o anúncio. Segundo a Reuters, jovens aplaudiram e gritaram palavras de esperança, mesmo com o som distante de explosões ainda ecoando. “Graças a Deus pelo cessar-fogo, o fim do derramamento de sangue e das mortes. Toda a Faixa de Gaza está feliz, todo o povo árabe está feliz”, disse Abdul Majeed Abd Rabbo, morador de Khan Younis, no sul de Gaza.
Em Israel, o jornal compartilhou que o clima também foi de emoção. Em Tel Aviv, na chamada Praça dos Reféns, famílias que há dois anos cobram o retorno dos sequestrados pelo Hamas se reuniram para celebrar o acordo. Einav Zaugauker, mãe de um dos reféns, desabafou: “Não consigo respirar, não consigo explicar o que estou sentindo. O que eu digo a ele? Só digo que o amo. Ver seus olhos se fixarem nos meus… é avassalador.”
O cessar-fogo é visto como o primeiro passo concreto para o fim da guerra iniciada em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas lançou um ataque surpresa contra o sul de Israel, matando mais de 1,2 mil pessoas e fazendo dezenas de reféns. A ofensiva israelense que se seguiu devastou Gaza, com mais de 67 mil palestinos mortos, segundo estimativas de organismos internacionais.
O acordo proposto por Trump estabelece uma “fase um” com a suspensão das operações militares e a libertação de reféns, seguida de uma segunda etapa que prevê negociações sobre a reconstrução de Gaza e a formação de uma administração interina no território. Estados Unidos, Egito, Qatar e Turquia se comprometeram a acompanhar a implementação do plano, enquanto Rússia e União Europeia expressaram apoio cauteloso à iniciativa.








