Depois de três anos e meio de guerra, o conflito na Ucrânia pode estar diante de uma reviravolta. Nos últimos dias, declarações de Donald Trump e reuniões de alto nível entre Rússia, Estados Unidos e aliados europeus acenderam especulações sobre uma possível negociação de paz, ainda que em termos controversos.
O que Putin exige para encerrar a guerra
Segundo relatos obtidos após o encontro entre Trump e Vladimir Putin no Alasca, a principal exigência russa é a cessão total da região do Donbass — que inclui Donetsk e Luhansk — à Rússia. Moscou já controla cerca de 87% do território desde a invasão de 2022, mas a Ucrânia mantém áreas fortificadas estratégicas, como Sloviansk e Kramatorsk.
Em troca, Putin teria oferecido “congelar” o conflito nas atuais linhas de frente em Kherson e Zaporíjia, além de fornecer uma promessa por escrito de não retomar ofensivas.
A posição da Ucrânia
O presidente Volodymyr Zelensky rejeitou categoricamente a ideia de ceder território. Em coletiva, afirmou que a Constituição ucraniana impede concessões desse tipo e que “não é possível abandonar o Donbass”, região rica em carvão e minério de ferro.
Zelensky se reúne nesta segunda-feira (18) com Trump na Casa Branca, ao lado de líderes europeus, para discutir os próximos passos. Figuras públicas ucranianas também condenaram a possibilidade de “troca de paz por território”, alegando que o país não foi derrotado.
O papel dos EUA e da Europa
O enviado especial americano, Steve Witkoff, afirmou que Putin aceitou discutir garantias de segurança para a Ucrânia. A proposta envolve um modelo semelhante ao artigo 5 da Otan — defesa coletiva em caso de ataque —, mas fora da aliança militar, já que impedir Kiev de se tornar membro da Otan é uma condição russa.
Na prática, ainda não está claro como essas garantias seriam implementadas, e líderes europeus cobram mais detalhes. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, reiterou que a integridade territorial da Ucrânia deve ser preservada.
Por que o Donbass é central para Putin
A região industrial do leste ucraniano tem importância simbólica e estratégica para Moscou. Desde 2014, quando Putin anexou a Crimeia e apoiou separatistas pró-Rússia no Donbass, o território virou foco da narrativa do Kremlin sobre “proteger falantes de russo”.
Para o governo russo, consolidar o controle sobre o Donbass seria suficiente para declarar vitória. Analistas, no entanto, divergem: alguns acreditam que Putin não teria recursos econômicos e militares para expandir a guerra muito além dali; outros temem que a ofensiva prossiga até a queda de Zelensky.
Guerra perto do fim?
Apesar da movimentação diplomática, especialistas alertam que ainda é cedo para falar em fim da guerra. As negociações esbarram em exigências vistas como inaceitáveis por Kiev e em desconfiança internacional sobre o real compromisso russo com a paz.
Enquanto isso, o conflito segue devastando vidas. Estima-se que 255 mil civis ainda vivam em áreas de Donetsk não ocupadas pela Rússia, sob bombardeios constantes.
Trump, que declarou acreditar que Putin “quer o fim da guerra”, tenta se colocar como mediador. Mas, para a Ucrânia, a paz proposta pode custar mais caro do que a própria guerra.








