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Em São Paulo, projetos impulsionam protagonismo estudantil e conexão com a cultura local

Um mapeamento inédito realizado pelo Itaú Social, em parceria com o Instituto Catalisador, destaca como professores de São Paulo estão transformando o ensino ao adotar a abordagem STEAM — sigla que, em português, representa a união entre Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática.  Segundo Sonia Dias, gerente de Desenvolvimento e Soluções do Itaú Social, “os educadores têm mostrado uma capacidade inspiradora de criar projetos que integram conteúdos de forma dinâmica, fortalecendo a confiança dos estudantes e incentivando-os a enxergar seu potencial para impactar a realidade.” No estado de São Paulo, diversas iniciativas se destacam por estimular a curiosidade, o protagonismo dos alunos e conectar o aprendizado com desafios reais da comunidade. Conheça algumas:

Criatividade e consciência ambiental na periferia de São Paulo

Localizado em Guaianases, na Zona Leste da cidade, o projeto “Recicle e Brinque” integra ciências da natureza, artes, matemática e robótica por meio da reutilização de materiais recicláveis, especialmente lixo eletrônico. A iniciativa conscientiza alunos, famílias e comunidade sobre o descarte correto desses resíduos, transformando-os em esculturas únicas que evidenciam a importância da preservação ambiental.

“A ideia surgiu a partir da preocupação com o manejo inadequado do lixo eletrônico e o impacto ambiental que ele causa. Queremos que nossos alunos desenvolvam não só a criatividade e autonomia, mas também um compromisso com o meio ambiente, envolvendo toda a comunidade no processo”, explica Alessandra Cruz Lima, idealizadora do projeto.

A iniciativa promove a recepção, separação e acondicionamento dos materiais arrecadados, estimulando a participação ativa das famílias e a criação de um ambiente de aprendizado colaborativo e interdisciplinar.

Arte e matemática na economia criativa

Também na Zona Leste, Suzana Marcelino Patelli, professora de Artes, lidera o projeto Mõtiro Cerâmica, iniciado em 2023 com alunos do Ensino Fundamental no contraturno. A iniciativa ensina conceitos de Ciências e Matemática por meio da cerâmica, explorando proporção, planificação e sólidos geométricos de forma lúdica. As peças produzidas são expostas e vendidas, incentivando a economia criativa e envolvendo a comunidade em oficinas durante eventos escolares.

Alunos de áreas vulneráveis, muitos com dificuldades em outras disciplinas, mostraram maior calma, responsabilidade e interesse pelo aprendizado, tornando-se multiplicadores do conhecimento ao ensinar novos participantes. A exposição final celebrou o orgulho dos alunos e suas famílias, reforçando o impacto social do projeto. Suzana destaca que “acreditar no potencial dos alunos é essencial para transformar”, sonhando em expandir o projeto para beneficiar ainda mais a comunidade.

Inclusão e autonomia para pessoas com deficiência visual

O projeto “Tecnologia Assistiva: ferramenta de inclusão para pessoas com deficiência visual”, idealizado por Valéria Cristina de Jesus Lopes Gomes, é um exemplo de como a dedicação, o voluntariado e a pesquisa acadêmica podem transformar vidas com ensino e promover a inclusão de forma efetiva. Valéria atua desde 1999 como professora voluntária de inglês e espanhol na Sociedade Francana de Instrução e Trabalho para Cegos (SFITC), em Franca (SP). Sua trajetória começou após uma experiência marcante em uma excursão ao Centro Cultural de São Paulo, na qual se deparou com o uso de audiolivros por pessoas com deficiência visual. Inspirada por essa vivência, ela se prontificou a oferecer sua contribuição, sendo direcionada para o ensino de línguas estrangeiras a esse público.

A metodologia do projeto foi construída de forma colaborativa, ouvindo as necessidades dos próprios alunos. “Fui desenvolvendo a partir da escuta ativa, em que eles foram me direcionando sobre como melhor adaptar o conteúdo. Quando necessário, também imprimia o material em Braille”, relata Valéria. O projeto utiliza diferentes recursos de tecnologia assistiva, como o Braille, softwares leitores de tela e materiais adaptados, promovendo a autonomia dos estudantes e ampliando suas possibilidades de participação social e acadêmica.

O projeto também provoca uma reflexão sobre a necessidade de repensar o currículo escolar, tornando-o mais inclusivo e sensível à diversidade. “A tecnologia assistiva deve ser entendida como um recurso do usuário, para promover independência e igualdade. Quando a diferença é vista como possibilidade de troca e enriquecimento, construímos uma verdadeira democracia social”, finaliza.

Sobre o mapeamento

O levantamento de práticas focadas na abordagem STEAM foi conduzido em cinco etapas e contou com a participação de professores de todas as regiões do país, totalizando 240 relatos recebidos, dos quais 121 foram voltados especificamente aos Anos Finais do Ensino Fundamental. As ações variam desde projetos simples e acessíveis até iniciativas mais complexas, todas com o objetivo comum de proporcionar um aprendizado envolvente, significativo e conectado à realidade dos estudantes.

Entre os principais objetivos do mapeamento estão:

  • Compreender como a abordagem STEAM é aplicada de forma criativa, significativa e autoral na educação formal brasileira.
  • Oferecer referências concretas de práticas bem-sucedidas, evidenciando o impacto positivo no engajamento e no desenvolvimento de habilidades dos alunos.
  • Disponibilizar recomendações, ferramentas para planejamento e avaliação, e exemplos inspiradores para educadores de todo o país.
  • Valorizar a diversidade territorial e cultural das iniciativas educacionais brasileiras, respondendo à pergunta: “O que é o STEAM com a cara do Brasil?”.

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