No mês dedicado à amamentação, chama atenção a relação entre cirurgias nas mamas — como implante de silicone e mamoplastia redutora/mastopexia — e a capacidade de amamentar. Estudos brasileiros recentes oferecem dados importantes, que alertam para as diferentes implicações de cada procedimento.
Colocação de prótese de silicone: geralmente segura para amamentar
De acordo com informações da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), a colocação de prótese de silicone por via infra mamária ou axilar, sem manipular a aréola, costuma ter baixo impacto na amamentação. Técnicas modernas preservam os ductos lactíferos e nervos, evitando prejuízos na produção ou no fluxo do leite. “Quando a prótese é inserida pelo sulco inframamário, a chance de amamentar normalmente é muito alta. O implante não atrapalha a glândula nem o leite”, afirma o cirurgião plástico Dr. Tarik Nassif.
Mamoplastia redutora e mastopexia: maior chance de comprometimento
A mamoplastia redutora e a mastopexia envolvem remoção de tecido e reposicionamento dos mamilos, procedimentos que podem interferir com os ductos mamários e as vias hormonais responsáveis pela amamentação. “Nas cirurgias redutoras, se houver manipulação da aréola ou remoção significativa de tecido, o risco de comprometimento da produção ou do fluxo de leite aumenta.”
Um estudo realizado entre 2007 e 2023 com 48 mulheres no Brasil mostrou que 93% das que já eram mães antes da cirurgia conseguiram amamentar (37,5% com suplementação) e 80% das que engravidaram depois da cirurgia amamentaram (50% suplementadas nos primeiros quatro meses) Apesar dos bons índices, houve relatos de dificuldades na drenagem das mamas mesmo com produção adequada.
Segundo a revista Materlife, retirar mais de 40% dos ductos pode trazer dificuldade às pacientes manterem amamentação exclusiva, embora técnicas modernas permitam preservar cerca de 60% e possibilitem o aleitamento com sucesso.
Ainda segundo o especialista, a maior parte das pacientes consegue amamentar normalmente. O principal obstáculo não é o silicone em si, mas sim se houve alteração anatômica dos ductos ou sensibilidade mamilar em cirurgias mal orientadas.
“É fundamental que a paciente converse com seu cirurgião antes da colocação da prótese, expresse o desejo de amamentar no futuro e escolha um tamanho de implante equilibrado com seu corpo.” Ressalta o cirurgião.








