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Projeto social usa R$ 70 mil de dinheiro público para alugar gerador e proteger videogames de R$ 3 mil

Uma organização social beneficiada com milhões de reais em emendas parlamentares na cidade de São Paulo gastou R$ 70,4 mil do dinheiro público apenas no aluguel de um gerador de energia. O equipamento foi utilizado por 32 dias em um projeto que oferece aulas de videogame para jovens da periferia.

O alto custo da locação chama atenção pelo objetivo: proteger aparelhos como o Playstation 4 — avaliados em cerca de R$ 3 mil no mercado — de possíveis quedas de energia elétrica. A despesa é considerada um exemplo dos gastos inflacionados identificados em iniciativas bancadas por emendas de vereadores paulistanos, como revelou o portal Metrópoles.

A ação, batizada de Fifa Pro E Sports 6, foi financiada com uma emenda de R$ 300 mil do vereador Marcelo Messias (MDB) à Federação Estadual das Ligas de Esportes Amadores do Estado de São Paulo (Felfa-SP). A entidade já recebeu mais de R$ 8,5 milhões em verbas públicas desde 2023, destinadas à realização de eventos e projetos esportivos.

Somente o gerador custou mais de 20% do total investido na ação. Foram 32 diárias a R$ 2,2 mil cada — valor que ultrapassa o preço de compra dos próprios videogames usados nas oficinas.

Em nota, a Felfa-SP justificou que os valores e serviços contratados foram analisados e aprovados pela Secretaria Municipal de Esportes, que emitiu parecer técnico favorável. Segundo a entidade, os custos estão compatíveis com a natureza do projeto, a estrutura exigida e os critérios técnicos dos editais públicos.

Apesar disso, especialistas ouvidos pela reportagem apontam que a lógica do gasto levanta dúvidas sobre o uso racional dos recursos. “É como alugar um cofre de diamantes para guardar bijuterias. A proteção é válida, mas o valor investido não se justifica diante do que está sendo preservado”, afirma um servidor público com experiência em contratos da área social.

Casos como esse reacendem o debate sobre a transparência e o controle dos gastos relacionados às emendas parlamentares. Criadas para permitir que vereadores direcionem recursos para projetos em suas regiões, essas verbas têm sido alvo constante de críticas pela falta de critérios objetivos na distribuição e fiscalização dos valores.

A Controladoria Geral do Município e o Ministério Público de São Paulo já foram acionados, em outros episódios, para apurar o uso de emendas com possíveis sobrepreços, contratos suspeitos e até entidades de fachada.

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