O surto de intoxicações por metanol em São Paulo, que já soma 22 casos confirmados — com mortes e internações graves —, levantou rumores de que o crime organizado estaria por trás da adulteração das bebidas. A hipótese de participação do PCC chegou a circular, mas foi descartada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). “Não há evidência de que haja crime organizado nisso”, disse o governador em coletiva, reforçando que até o momento não existe vínculo entre o PCC e os episódios.
O que dizem especialistas
Segundo autoridades e especialistas em química, a contaminação pode estar ligada mais a erros de processo na fabricação clandestina do que a uma ação intencional.
O metanol é um álcool tóxico, utilizado em combustíveis e solventes industriais, que não deveria estar presente em bebidas. O que ocorre é que, durante a destilação, se o procedimento não é feito corretamente, há risco de que o metanol, normalmente formado a partir da decomposição de pectinas presentes em frutas, como uva e maçã, não seja separado do etanol (álcool próprio para consumo).
Em produções ilegais, quando não há controle de qualidade, o resultado pode ser uma bebida com alta concentração de metanol, suficiente para causar intoxicação grave.
Como o metanol age no corpo
Ao ser ingerido, o metanol é metabolizado no fígado em formaldeído e, depois, em ácido fórmico, substâncias altamente tóxicas para o sistema nervoso central. Isso pode causar:
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Náusea, dor abdominal e tontura;
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Dificuldades visuais que podem evoluir para cegueira irreversível;
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Em casos graves, parada respiratória e morte.
Crime ou falha técnica?
Embora seja possível adulterar bebidas intencionalmente com metanol, por ser mais barato do que o etanol, especialistas afirmam que os casos registrados em São Paulo até agora parecem estar mais relacionados a processos de destilação mal conduzidos em fábricas clandestinas.
Ou seja, não seria que alguém está “colocando veneno” de forma deliberada, mas sim que, por falta de equipamentos adequados, os responsáveis não conseguem eliminar corretamente o metanol durante a produção.
O que esperar daqui pra frente
O governo de São Paulo informou que continua investigando a origem das bebidas contaminadas e reforçou a necessidade de não consumir destilados de origem duvidosa. A Anvisa e a Polícia Civil também acompanham o caso para rastrear a cadeia de produção clandestina.
Enquanto isso, autoridades de saúde orientam a população a redobrar o cuidado com bebidas alcoólicas sem registro oficial.








