O Sistema de Alerta Rápido (SAR), da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad/MJSP), notificou, na última sexta-feira (26), nove casos de intoxicação por metanol registrados no estado de São Paulo em apenas 25 dias. Todos ocorreram após a ingestão de bebidas alcoólicas adulteradas, segundo informações do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox), de Campinas (SP).
O número é considerado fora do padrão, tanto pela frequência quanto pelo perfil dos casos. Historicamente, o Ciatox registrava intoxicações por metanol associadas ao consumo de combustíveis por pessoas em situação de vulnerabilidade social, como a população de rua. A notificação atual, no entanto, aponta para ocorrências em contextos sociais comuns, como bares, envolvendo diferentes tipos de bebidas – gin, whisky e vodka, entre outras.
De acordo com especialistas, a ingestão de metanol pode causar intoxicações graves, com risco de morte. Os sintomas incluem dor de cabeça intensa, náusea, dificuldade para respirar e até perda da visão. O cenário preocupa as autoridades sanitárias por seu potencial de gerar surtos com múltiplos casos graves e alta letalidade.
O alerta foi emitido às vésperas do fim de semana, período de maior consumo de álcool, com a recomendação de que a população redobre a atenção à procedência das bebidas. A Senad destacou que é possível haver subnotificação, já que nem todos os casos chegam a ser comunicados aos órgãos de saúde. Os casos acontecem por toda Grande São Paulo, inclsive em bairros nobres, na zona sul e norte.
Caso em bairro nobre de São Paulo
O risco ganhou repercussão nacional após o relato de Rhadarani Domingos, designer de interiores que afirma ter perdido a visão depois de beber três caipirinhas de frutas vermelhas com maracujá e vodka em um bar na capital paulista.
“Não enxergo nada”, relatou ela em entrevista publicada pelo UOL, neste domingo (28). Rhadarani está internada em um hospital da cidade e segue em observação. A polícia investiga o caso, mas os nomes dos estabelecimentos envolvidos não foram divulgados.
Risco à saúde pública
Autoridades alertam que episódios de adulteração de bebidas com metanol exigem respostas rápidas de fiscalização e saúde pública. “Esse tipo de ocorrência não só gera intoxicações graves como pode levar à morte em poucas horas, dependendo da dose ingerida”, aponta a notificação enviada pelo SAR.
O sistema, que integra o Sisnad (Sistema Nacional de Políticas sobre Drogas), atua em parceria com o Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (Obid) e tem como objetivo antecipar riscos relacionados ao consumo de substâncias tóxicas no país. Novos relatos circulam pelas redes com especulações de envolvimento de facções ou dúvidas sobre a segurança de alcoólicos lacrados, como vinho e cerveja, mas tanto a origem das intoxicações quanto o que é ou não seguro de beber ainda não foram confirmados pelas autoridades.









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