OUTROS ARTIGOS

Inclusão de profissionais 50+ avança, mas ainda é desafio no mercado de trabalho brasileiro

O envelhecimento populacional está transformando a força de trabalho no Brasil e no mundo. Segundo o IBGE, até 2030 haverá mais pessoas com 60 anos ou mais do que crianças com até 14 anos no país. Apesar disso, a inclusão de profissionais acima dos 50 anos ainda enfrenta barreiras significativas, especialmente em processos seletivos.

De acordo com a Maturi, empresa especializada em empregabilidade para esse público, a taxa média de profissionais com mais de 50 anos no mercado formal brasileiro é de apenas 8,7%, segundo dados do Bureau of Labor Statistics (BLS), enquanto a média global é de 29,6%. Esse cenário contrasta com a crescente demanda por mão de obra qualificada e a necessidade de reter talentos experientes em um mercado cada vez mais competitivo.

A Eurofarma, multinacional brasileira do setor farmacêutico, tem se destacado nesse cenário ao adotar práticas inclusivas para profissionais 50+. A empresa recebeu pela segunda vez o selo Certified Age-Friendly Employer™ (CAFE), concedido pelo Age-Friendly Institute, reconhecendo seu compromisso com a valorização e inclusão de profissionais com 50 anos ou mais. Esse selo é concedido a empresas que implementam políticas explícitas de diversidade etária, programas de capacitação e retenção, e adequação dos ambientes e funções às necessidades dos profissionais mais experientes .

Além disso, a Eurofarma tem promovido iniciativas como programas estruturados de transição gradual para aposentadoria e incentivo à criação de grupos de afinidade voltados ao diálogo intergeracional. Essas ações visam não apenas combater o preconceito etário, mas também aproveitar a experiência e conhecimento acumulado dos profissionais 50+, contribuindo para a inovação e sustentabilidade organizacional.

Estudos do Age-Friendly Institute indicam que colaboradores com mais de 50 anos permanecem até três vezes mais tempo nas organizações, reduzindo custos com turnover e contribuindo com conhecimento estratégico para inovação e cultura organizacional. Além disso, empresas que comunicam práticas inclusivas em suas vagas chegam a registrar um aumento médio de 20% no número de candidaturas, ampliando a competitividade na atração de talentos.

Diversidade etária como estratégia e ESG
A inclusão de diferentes gerações no mesmo ambiente corporativo é apontada por especialistas como um pilar importante para sustentabilidade e performance empresarial. A agenda ESG, por exemplo, considera a diversidade etária parte das práticas sociais que impactam diretamente a reputação e a credibilidade das organizações.

Apesar do avanço de algumas empresas com políticas estruturadas para esse público, a transformação ainda é lenta no Brasil. O desafio passa pela eliminação do ageísmo – preconceito relacionado à idade –, pelo investimento em capacitação contínua e pela criação de oportunidades iguais para todas as faixas etárias.

Organizações que desejam se preparar para esse novo cenário podem adotar práticas como:

  • Políticas explícitas de diversidade etária nos processos de recrutamento e promoção;

  • Programas de mentoria intergeracional para troca de conhecimento;

  • Capacitação digital para profissionais mais maduros;

  • Flexibilização de jornadas e funções, incluindo modelos de transição para aposentadoria.

A expectativa é que, com o envelhecimento acelerado da população, empresas que se adaptarem a essa realidade estarão mais preparadas para garantir produtividade, inovação e engajamento no longo prazo.

Arquivado em:

Compartilhe AGORA:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *