O dólar pode perder espaço nas transações internacionais? Essa é a expectativa que ronda o Brics Pay, apelidado de “Pix do BRICS”, que está na reta final de testes e deve ser lançado oficialmente no fim do próximo mês.
O novo sistema promete transferências instantâneas entre os países do BRICS, bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — além de novos membros, como Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Como vai funcionar o Brics Pay?
O Brics Pay foi desenvolvido para complementar os meios de pagamento já existentes, e não para substituí-los de imediato. Ele usará uma tecnologia inspirada no blockchain, garantindo segurança, transparência e agilidade.
Diferente do SWIFT — principal rede de comunicação entre bancos no mundo, usada para transferências internacionais —, o Brics Pay busca reduzir riscos de bloqueio político e oferecer transações em tempo real.
Na prática, um turista brasileiro poderá pagar um restaurante na Índia diretamente em reais, sem precisar comprar dólares nem pagar taxas altas de conversão. O mesmo vale para empresas exportadoras, que terão menos burocracia e custos mais baixos em negociações comerciais.
Qual o objetivo do sistema?
O projeto tem um pano de fundo geopolítico: diminuir a dependência do dólar nas transações internacionais e fortalecer as moedas locais dos países-membros.
Porém, especialistas destacam que o Brics Pay, sozinho, não deve ameaçar a hegemonia do dólar no curto prazo, já que a força da moeda americana está ligada ao mercado financeiro dos EUA e ao status de reserva global.
Impacto no turismo: o que muda para você?
Para quem pretende viajar entre países do BRICS, a novidade pode representar menos custos com câmbio e pagamentos mais rápidos. Em vez de carregar dinheiro vivo ou pagar IOF alto no cartão internacional, será possível pagar via aplicativo, como já acontece com o Pix no Brasil.
Além disso, as taxas de conversão serão menores, já que as transações ocorrerão diretamente entre os bancos centrais e instituições dos países envolvidos, sem passar pelo dólar.
Quem pode perder com isso?
A pressão maior deve cair sobre empresas privadas, como Visa e Mastercard, que vêm perdendo espaço para soluções digitais locais. No Brasil, por exemplo, o Pix já transformou o mercado de pagamentos, e o Brics Pay segue a mesma lógica para o cenário internacional.








