Caso de abuso na novela ‘Dona de Mim’ destaca importância do acolhimento após violência

Na novela Dona de Mim, da emissora Globo, a atriz Giovanna Lancellotti interpreta Kami, uma jovem que foi marcada pela violência sexual de um stalker em plena luz do dia. A cena chama atenção para uma realidade que, fora da ficção, atinge milhões de brasileiras: o impacto devastador do abuso físico, sexual e psicológico.

De acordo com a pesquisa Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mais de 21 milhões de mulheres, cerca de 37,5% das brasileiras com 16 anos ou mais, relataram ter sofrido algum tipo de violência no último ano. Dentro desse universo, 5,3 milhões disseram ter sido vítimas de violência sexual ou forçadas a manter relações contra a vontade, o equivalente a 10,7% da população feminina. Os dados reforçam a gravidade do problema: em 2024, o país registrou 71.892 casos de estupro, quase 196 por dia, segundo a Agência Brasil.

O que fazer após sofrer violência sexual

Especialistas reforçam que, ao sofrer violência sexual, a vítima deve buscar atendimento médico imediato, de preferência em até 72 horas, para realizar exames, profilaxia contra infecções sexualmente transmissíveis, contracepção de emergência e coleta de vestígios que podem servir de prova. É recomendado procurar uma Delegacia de Defesa da Mulher (ou delegacia comum, caso não haja uma especializada disponível) para registrar boletim de ocorrência.

Além disso, o canal 180 (Central de Atendimento à Mulher ) funciona 24 horas por dia, com orientação jurídica, informações sobre serviços de saúde e acolhimento psicológico. “A primeira coisa é não se calar. Procurar ajuda é fundamental, porque nenhuma mulher precisa enfrentar essa dor sozinha. Denunciar e se acolher em um espaço seguro é o primeiro passo para o recomeço”, afirma a gerente de projetos da Ficar de Bem, Sara Gonçalves.

Rede de apoio na Grande São Paulo

Na região do ABC Paulista, a Casa da Mulher Paulista, em São Bernardo do Campo, administrada pela Ficar de Bem, funciona de portas abertas, sem necessidade de encaminhamento, oferecendo acolhimento imediato e serviços especializados de apoio jurídico, psicológico e social.

Além dela, outras opções gratuitas estão disponíveis em São Paulo. O governo estadual ampliou em 2024 a rede de Casas da Mulher Paulista, hoje presente em diferentes regiões, com atendimento humanizado e multidisciplinar. Também há o Serviço de Acolhimento Institucional, que oferece abrigos sigilosos para mulheres em risco e seus filhos, e os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS e CREAS), que atuam em diferentes municípios com orientação e acompanhamento psicossocial.

As Delegacias de Defesa da Mulher, muitas delas funcionando 24 horas, também fazem parte dessa rede, assim como parcerias de transporte gratuito até serviços de apoio em casos de emergência.

Reconstrução possível

Assim como a personagem Kami encontra no acolhimento uma forma de ressignificar sua dor, mulheres que buscam apoio em serviços especializados têm a oportunidade de transformar a violência sofrida em um ponto de partida para novas trajetórias.

“O recomeço não é fácil, mas é possível. Muitas chegam fragilizadas, mas ao longo do acompanhamento redescobrem sua força e voltam a enxergar perspectivas para o futuro”, completa Sara.

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Larissa Crippa

Jornalista com experiência tanto em hard quanto soft news, além de assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes. Já passou por grandes portais, como R7, Terra e Estadão. Atualmente atua como repórter e editora.

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