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Trump afirma que teve ‘química’ com Lula e mais: confira destaques da Assembleia Geral da ONU

A abertura da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (23/9), foi marcada por discursos fortes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela inesperada declaração do presidente americano Donald Trump, que disse ter sentido “uma química excelente” com o brasileiro e sinalizou um possível encontro entre os dois na próxima semana.

Lula defende democracia, paz e combate à fome

No discurso de abertura, Lula reforçou a tradição de o Brasil ser o primeiro país a falar no debate geral da ONU. Durante 15 minutos, o presidente defendeu o multilateralismo, o fortalecimento da democracia, a sustentabilidade e a necessidade de união global contra a pobreza e a fome.

“A única guerra de que todos podem sair vencedores é a que travamos contra a fome e a pobreza”, afirmou.

O presidente também ressaltou que a pobreza mina valores democráticos e deve ser enfrentada com prioridade. Defendeu redução de gastos militares, alívio da dívida externa de países pobres e maior tributação sobre super-ricos.

Críticas a sanções e defesa da soberania

Sem citar diretamente os EUA, Lula criticou “sanções arbitrárias e intervenções unilaterais”, em clara referência às medidas anunciadas pelo governo Trump contra o Brasil. O petista afirmou que a democracia brasileira resistiu a ataques recentes e que “nossa soberania é inegociável”.

O presidente também abordou temas globais, como o conflito em Gaza — condenando o veto que bloqueia a criação de um Estado palestino —, a guerra na Ucrânia, a crise do multilateralismo e a necessidade de regulamentar plataformas digitais contra desinformação e ódio.

ONU celebra 80 anos

O encontro deste ano também marca o aniversário de 80 anos da ONU. O secretário-geral, António Guterres, pediu fortalecimento da instituição diante de novos desafios, enquanto a presidente da Assembleia, Annalena Baerbock, lembrou que o mundo enfrenta dilemas semelhantes aos que levaram à criação da organização em 1945.

Além da participação brasileira, outros países também destacaram pontos relevantes. A Alemanha reforçou a necessidade de acelerar a transição energética e ampliar o financiamento climático para nações em desenvolvimento. Os Estados Unidos defenderam a inovação tecnológica como aliada na redução de emissões e se comprometeram a fortalecer parcerias internacionais para energias limpas. Já representantes africanos chamaram atenção para a vulnerabilidade do continente diante da crise climática e cobraram justiça climática, lembrando que são responsáveis por uma fração mínima das emissões globais, mas sofrem impactos severos.

Trump elogia Lula e fala em reunião

Logo após o discurso do brasileiro, Trump assistiu pela transmissão interna e se encontrou brevemente com Lula nos bastidores. O republicano relatou o episódio em sua fala na ONU:

“Nós nos vimos, nos abraçamos, e combinamos de nos encontrar na semana que vem. Tivemos uma química excelente. Ele parece um cara muito legal”, disse Trump.

Apesar do tom amistoso, Trump manteve críticas ao Brasil, justificando tarifas de 50% sobre produtos brasileiros por “interferência nos direitos e liberdades de cidadãos americanos”.

Segundo o chanceler Mauro Vieira, não há confirmação sobre o formato do encontro — que pode ocorrer pessoalmente, por telefone ou videoconferência.

Contexto de tensão

O gesto de Trump ocorre em meio à escalada das sanções americanas contra autoridades brasileiras, incluindo a inclusão de familiares do ministro do STF Alexandre de Moraes na Lei Magnitsky.

Analistas veem o elogio como um sinal de distensão, mas alertam para a imprevisibilidade do republicano. “É um aceno positivo, mas também pode colocar o Brasil em posição delicada, porque Trump costuma oscilar mesmo em relação a aliados”, avalia o professor Paulo Velasco, da Uerj.

O recado de Lula

Apesar do breve encontro e do tom conciliador de Trump, Lula deixou claro em seu discurso que não aceitará pressões externas. Ao lembrar a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, ele disse que o Brasil deu “um recado a todos os candidatos a autocratas: nossa democracia é inegociável”.

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Larissa Crippa

Jornalista com experiência tanto em hard quanto soft news, além de assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes. Já passou por grandes portais, como R7, Terra e Estadão. Atualmente atua como repórter e editora.

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