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Educação midiática: como proteger a saúde mental e combater a adultização precoce dos jovens

As redes sociais mudaram profundamente a forma como crianças e adolescentes se relacionam, aprendem e se expressam. Apesar das oportunidades de conexão e aprendizado, o ambiente digital também expõe os jovens a comparações irreais, pressões sociais e sobrecarga emocional.

Para Ana Paula Lilly, orientadora educacional da FourC Bilingual Academy, o maior desafio está no equilíbrio. “As mídias sociais são um espaço de expressão e conexão, mas também podem gerar uma comparação muito excessiva entre os jovens. A tarefa dos adultos é ensiná-los a usar a internet de forma consciente, porque hoje consumimos muita informação de modo muito rápido, muitas vezes sem questionar ou refletir sobre as consequências de compartilhar tanto conteúdo”, afirma.

Impactos na rotina escolar

Segundo a especialista, os efeitos do uso excessivo das redes sociais aparecem no dia a dia dos estudantes. “A gente nota, às vezes, que eles chegam cansados, desconcentrados. O sono também é afetado, porque muitos acabam compensando em casa o tempo sem celular na escola, dormindo muito tarde por ficarem nas redes sociais”, explica Lilly.

Adultização precoce: um risco em crescimento

Entre os efeitos mais preocupantes está a adultização precoce, quando crianças e adolescentes passam a viver experiências e adotar comportamentos que não correspondem à sua fase de desenvolvimento. “Nos preocupa muito quando os alunos deixam de vivenciar experiências da infância e adolescência. Essa pressa em se adequar ao que veem online leva à adultização precoce. Seja no modo de se vestir, falar ou se relacionar, os jovens passam a lidar com pressões para as quais o cérebro ainda não está preparado”, alerta a orientadora.

Educação midiática como ferramenta de proteção

Para Ana, a solução passa pela educação midiática, preparando os jovens para lidar de forma crítica e saudável com o ambiente digital. “É preciso prepará-los para olhar as mídias sociais de forma crítica. Quem produziu esse conteúdo? Qual a intenção? Qual é a mensagem implícita? Isso ajuda a diminuir a pressão das comparações e favorece relações mais saudáveis. Além de consumidores, eles podem ser criadores, aprendendo a produzir conteúdos éticos, criativos e responsáveis, com uma voz digital positiva para o grupo deles”, explica.

Papel da escola e da família

A especialista reforça que os educadores devem atuar como mediadores, não apenas como fiscalizadores. “Observar sinais de ansiedade, isolamento ou pressão social e agir com prevenção é fundamental”, pontua.

Já as famílias precisam estar presentes nesse processo. “É preciso promover momentos de diálogo, formação e orientação prática para os pais, para que compreendam os riscos, falem a mesma ‘língua’ dos filhos e reforcem valores de respeito, empatia e responsabilidade no ambiente digital”, completa.

Compromisso coletivo

Por fim, Ana defende que a educação midiática deve estar presente em toda a proposta pedagógica, e não como disciplina isolada. “O mais importante é que a escola inteira se comprometa a tratar o tema em diferentes frentes, com intencionalidade. Só assim os jovens estarão preparados para lidar com a velocidade e a quantidade de informações do mundo atual”, conclui.

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Leonardo Nascimento

Jornalista, tecnólogo em Comunicação Institucional e pós-graduando em Jornalismo Cultural e de Entretenimento.

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