A internet permite que novas comunidades surjam a cada dia, mas nem sempre de forma saudável, como o caso de fóruns extremistas com os chamados “red pills”.
Os termos “red pill” (pílula vermelha) e “blue pill” (pílula azul) nasceram na cultura popular com o filme Matrix (1999) e simbolizam escolhas distintas: a pílula azul representa a aceitação de uma realidade confortável, mesmo que ilusória, enquanto a pílula vermelha simboliza a decisão de enfrentar a “verdade crua” e dolorosa da vida.
O conceito, que inicialmente tinha um sentido filosófico mais amplo, foi apropriado por essas comunidades online, majoritariamente de grupos misóginos e conservadores, para alegar que teriam uma compreensão mais “realista” das dinâmicas sociais e das relações entre homens e mulheres. Alguns integrantes desses grupos afirmam que a sociedade moderna privilegia mulheres independentes, deixando os homens em desvantagem no jogo afetivo e social, o que contribui para uma suposta epidemia da solidão masculina.
Em redes como Tiktok e X (antigo Twitter), muitos internautas comentam que um red pill tende a “morrer sozinho”. Tanto jovens mulheres como homens mais progressistas preferem não se relacionar com esse nicho extremo, que consideram “desagradáveis e patéticos”. “Ao invés de sair na rua e conversar com alguém real, você fica assistindo homens calvos solteiros de 40 anos falarem sobre como ser um ‘macho alfa?’ Isso é meio brochante” comentam usuários em vídeos que contém a hashtag do movimento.
Essa percepção encontra, em parte, respaldo em dados demográficos. Segundo projeções do Morgan Stanley, até 2030, cerca de 45% das mulheres entre 25 e 44 anos estarão solteiras e sem filhos, número que já superou os 41% registrados em 2018. O fenômeno é impulsionado principalmente pela busca feminina por independência financeira e realização profissional, que traz efeitos positivos para a economia, mas também gera preocupações sociais, como a queda da natalidade a longo prazo.








