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Faculdade para influenciadores inaugura campus de luxo em SP com praia artificial

São Paulo acaba de ganhar a primeira faculdade voltada exclusivamente para influenciadores digitais. A Community Creators Academy abriu as portas na Vila Leopoldina, Zona Oeste da capital, com uma estrutura que chama atenção: campus de 14 mil m², mais de 200 estúdios de gravação, além de praia artificial, banheiros “instagramáveis”, salão de beleza e academia.

Segundo os idealizadores, a proposta é profissionalizar a carreira de influenciador em um mercado que movimenta bilhões no Brasil. Os cursos duram de três a seis meses, têm aulas de duas a três vezes por semana e custam entre R$ 25 mil e R$ 35 mil. A instituição já soma cerca de 200 alunos matriculados, de acordo com informações do Olhar Digital e TecMundo.

Processo seletivo e alto investimento

Para entrar na faculdade, o candidato precisa pagar uma taxa de inscrição de R$ 120 e passar por etapas como formulário e carta de intenção. O chamado “vestibular de influenciador” seleciona quem tem, segundo a empresa, o perfil adequado para aproveitar a metodologia.

O projeto recebeu investimento estimado em R$ 40 milhões e nasceu de uma parceria entre o empresário Fábio Duarte e o grupo educacional Ânima Educação. Entre os mentores, estão nomes conhecidos do meio digital, como Igor Coelho (Flow) e Sarah Fonseca (Skin Quer).

Apesar da estrutura e do marketing, a faculdade não tem reconhecimento do MEC, o que significa que não oferece diploma universitário oficial. O curso é classificado como livre e tem foco em áreas como ética, responsabilidade social, direito digital, storytelling e monetização de conteúdo, segundo informações do TecMundo.

Sonho de milhões, realidade de poucos

A inauguração acontece em meio a um fenômeno: o desejo de se tornar influenciador cresce entre os jovens brasileiros. Pesquisa citada pelo O Tempo aponta que 75% dos jovens do país sonham em ser influenciadores digitais.

Hoje, mais de 500 mil pessoas no Brasil têm perfis com mais de 10 mil seguidores, segundo levantamento da Nielsen. Se considerarmos criadores de conteúdo em geral, esse número sobe para cerca de 10 milhões, mas apenas 4% conseguem viver exclusivamente dessa atividade, segundo o InfoMoney.

A realidade é que poucos conseguem altos ganhos: apenas 0,54% faturam mais de R$ 100 mil por mês, enquanto 31% recebem entre R$ 2 mil e R$ 5 mil. A maioria segue com a influência como renda extra, enfrentando riscos como instabilidade financeira, pressão por engajamento e burnout.

Enquanto isso, outras profissões seguem desvalorizadas

A valorização da influência digital também levanta debates sobre o prestígio de outras profissões essenciais. Carreiras como professores, profissionais da saúde, trabalhadores domésticos e agentes comunitários continuam com baixos salários e pouca visibilidade, apesar do impacto real na sociedade.

 

 

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Larissa Crippa

Jornalista com experiência tanto em hard quanto soft news, além de assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes. Já passou por grandes portais, como R7, Terra e Estadão. Atualmente atua como repórter e editora.

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