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‘Careca do INSS’ não comparece à CPMI e escândalo de R$ 6,3 bi segue em apuração

A sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que aconteceria nesta segunda-feira (15), foi cancelada após a ausência de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. O empresário, apontado como um dos principais articuladores das fraudes em aposentadorias e pensões, decidiu não comparecer, amparado por liminar do ministro do STF André Mendonça que tornou facultativa sua presença.

Antunes foi preso na última sexta-feira (12) durante a Operação Cambota, da Polícia Federal, que investiga um esquema bilionário de descontos ilegais em benefícios previdenciários. O grupo teria desviado R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, atingindo mais de 1,6 milhão de beneficiários. O empresário é acusado de movimentar R$ 53,5 milhões de forma irregular, além de pagar propina a servidores.

Apesar da ausência, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que as investigações vão continuar. Até o momento, 14 pedidos de convocação já foram aprovados, e novas oitivas estão previstas para os próximos dias. Segundo Viana, o foco da comissão é identificar toda a rede de beneficiados pelo esquema e garantir que os aposentados sejam ressarcidos.

Parte do ressarcimento já começou: segundo dados oficiais, cerca de R$ 1,084 bilhão foram devolvidos a beneficiários prejudicados. A expectativa é de que mais valores sejam recuperados com o bloqueio de bens dos envolvidos — entre eles, carros de luxo, obras de arte, armas e uma mansão de R$ 9 milhões em Brasília, abandonada pelo “Careca do INSS”.

Nos bastidores, advogados de Antunes afirmam que a ausência na CPMI foi uma estratégia para evitar exposição política. A defesa pretende apresentar documentos diretamente ao Judiciário.

O escândalo é considerado um dos maiores da história da Previdência no Brasil. Se confirmadas as fraudes, os envolvidos podem responder por crimes como organização criminosa, peculato e corrupção ativa e passiva. Já os aposentados e pensionistas, embora parte do ressarcimento esteja em curso, ainda aguardam definição sobre a devolução integral dos valores perdidos.

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Larissa Crippa

Jornalista com experiência tanto em hard quanto soft news, além de assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes. Já passou por grandes portais, como R7, Terra e Estadão. Atualmente atua como repórter e editora.

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