Segundo a AP News, a Flórida pode se tornar o primeiro estado americano a eliminar completamente a exigência de vacinas obrigatórias para crianças em escolas e creches. A decisão faz parte de um movimento liderado pelo governador republicano Ron DeSantis, que já havia flexibilizado regras sanitárias durante a pandemia de Covid-19.
O anúncio foi feito pelo cirurgião-geral do estado, Joseph Ladapo, que classificou a obrigatoriedade das vacinas como uma “intrusão imoral” nos direitos individuais e afirmou que os pais devem ter liberdade total para decidir sobre a imunização dos filhos. “As pessoas têm o direito de tomar decisões informadas”, disse Ladapo em coletiva na região de Tampa.
Atualmente, a lei da Flórida exige que crianças em idade escolar recebam vacinas contra doenças graves como sarampo, catapora, hepatite B, poliomielite, difteria, tétano e coqueluche. Com a mudança, todas essas exigências poderão ser derrubadas.
Especialistas da OMS alertam que a eliminação da vacinação obrigatória pode causar surtos de doenças erradicadas ou controladas há décadas. Crianças não vacinadas correm risco de contrair sarampo, coqueluche, caxumba, poliomielite e meningite, doenças que podem causar complicações graves como pneumonia, surdez, paralisia e até morte.
Nos Estados Unidos, embora a taxa de mortalidade infantil tenha caído nas últimas décadas, surtos em populações não vacinadas representam risco crescente. Em 2023, o índice de mortalidade infantil no país foi de 5,6 mortes por mil nascidos vivos, segundo dados oficiais. Autoridades de saúde afirmam que a vacinação foi fundamental para essa redução histórica.
O plano do governo estadual prevê ainda a criação da comissão “Make America Healthy Again”, que irá propor um “pacote de liberdade médica” para reforçar direitos dos pais e revisar diretrizes sobre vacinas.
Enquanto isso, governadores de outros estados, como Califórnia, Washington e Oregon, anunciaram uma aliança para proteger as políticas de imunização, defendendo que a vacinação é essencial para evitar epidemias e salvar vidas.
Se aprovada, a decisão da Flórida poderá marcar uma mudança profunda na política de saúde pública dos Estados Unidos e reacender debates sobre segurança, liberdade individual e responsabilidade coletiva.








