A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que as mulheres têm o dobro de risco de desenvolver transtornos mentais, como ansiedade e depressão, em comparação aos homens. No contexto da vida reprodutiva, essa vulnerabilidade é potencializada por fatores biológicos, hormonais e sociais, que atravessam desde a primeira menstruação até a menopausa.
De acordo com a Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), é preciso reforçar a atenção à saúde mental feminina, sobretudo porque dados do Ministério da Saúde mostram que os suicídios entre mulheres aumentaram 45,7% entre 2009 e 2018, índice superior à média geral, de 35,8%. Apesar das pesquisas da OMS apontarem que homens são as maiores vítimas de suícidio, as mulheres têm uma incidência de depressão significativamente maior. A Febrasgo destaca ainda que a ginecologia e a obstetrícia podem desempenhar papel essencial no acolhimento e na identificação de sinais ligados a doenças mentais.
Ciclo hormonal e impactos na saúde mental
As variações hormonais ligadas ao ciclo menstrual podem desencadear sintomas como alterações de humor, irritabilidade, insônia e queda da libido. Durante a gestação e o puerpério, a intensidade desses impactos se amplia, abrindo espaço para quadros de depressão pós-parto e ansiedade.
A Febrasgo lembra que a depressão pós-parto é uma condição clínica séria e precisa ser validada e acolhida, para que as mulheres não enfrentem esse momento em silêncio ou marcadas pela culpa.
Condições ginecológicas que agravam o sofrimento
Além das flutuações hormonais, doenças como endometriose, miomas e síndrome dos ovários policísticos (SOP) afetam diretamente o bem-estar. Esses problemas podem causar dor crônica, infertilidade e repercussões psicológicas importantes.
A partir dos 35 anos, a fertilidade feminina começa a cair de forma significativa, o que pode aumentar a ansiedade em relação à maternidade. Já na menopausa, a queda nos níveis de estrogênio provoca sintomas como insônia, irritabilidade, perda de libido e maior risco de doenças cardíacas e osteoporose.
Cuidados ao longo da vida feminina
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Na primeira menstruação: é importante que a adolescente receba orientação sobre saúde íntima, higiene adequada e hábitos de vida saudáveis. Consultas periódicas ao ginecologista ajudam a prevenir doenças e a esclarecer dúvidas comuns dessa fase.
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Na idade reprodutiva: atenção aos exames preventivos, como papanicolau, ultrassonografias e avaliação hormonal, é essencial. Nesse período, também vale reforçar a importância de métodos contraceptivos seguros, planejamento familiar e acompanhamento da saúde mental.
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Após ter filhos: o acompanhamento no pós-parto deve incluir a recuperação física e o suporte emocional, com atenção a sinais de depressão ou ansiedade. A amamentação, a retomada gradual da atividade física e o cuidado com a vida sexual também merecem destaque.
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Na menopausa: adotar medidas que aliviem sintomas como insônia, irritabilidade e ondas de calor faz diferença. Além disso, é recomendada a prevenção de doenças crônicas, com foco em exames de densidade óssea, monitoramento cardiovascular e acompanhamento psicológico para garantir bem-estar nessa etapa.








