Agosto marca o Mês da Primeira Infância, uma fase decisiva para a formação de hábitos e o desenvolvimento físico e cognitivo das crianças. Mas, no Brasil, os números revelam um cenário preocupante: segundo o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani), 80% das crianças com menos de cinco anos consomem alimentos ultraprocessados com frequência, e cerca de 25% das calorias ingeridas vêm exclusivamente desse tipo de produto. Entre os pequenos de 2 a 5 anos, a proporção sobe para 30%.
“Os ultraprocessados podem comprometer o desenvolvimento físico e cognitivo das crianças, além de favorecer o surgimento de doenças crônicas já na infância, como obesidade, diabetes tipo 2 e hipertensão”, alerta a pediatra Bruna de Paula, especialista em alimentação infantil.
Além do impacto na saúde, há reflexos no comportamento. “Dietas ricas em açúcar, corantes e aditivos afetam o humor, aumentando irritabilidade, agitação e até ansiedade. Já a falta de nutrientes compromete o sono e a concentração”, explica a médica.
Rótulos que enganam
As embalagens coloridas e mensagens chamativas são outra armadilha para os pais. “Muitos alimentos são vendidos como ‘naturais’ ou ‘ricos em vitaminas’, mas na prática são cheios de açúcar e aditivos. Até expressões como ‘zero açúcar’, ‘diet’ ou ‘light’ podem esconder substâncias que não são recomendadas para crianças”, pontua a especialista.
O que dizem as autoridades?
Apesar dos riscos, o Brasil ainda carece de políticas públicas robustas de regulação da publicidade infantil e do marketing de ultraprocessados voltados às crianças. Hoje, há recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e iniciativas como o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, que orienta priorizar alimentos in natura, mas a regulação de rótulos e propaganda ainda é considerada insuficiente por entidades de saúde.
Comer bem não precisa ser caro
A ideia de que alimentação saudável é inviável para muitas famílias também é um mito. Frutas, legumes, arroz, feijão, ovos e carnes simples devem formar a base da nutrição infantil.
Dra. Bruna indica estratégias acessíveis para pais e cuidadores:
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Preparar porções maiores e congelar;
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Higienizar e cortar frutas e legumes logo após a compra;
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Criar um ambiente tranquilo para as refeições, sem TV ou celular.
“É nessa fase que os hábitos se formam. Se a criança cresce acostumada a sabores artificiais, pode rejeitar alimentos naturais no futuro. Por isso, o ideal é começar com pequenas substituições e envolver os filhos no preparo dos alimentos”, recomenda a pediatra.








