A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) tornou-se o centro de uma polêmica internacional após um parlamentar italiano solicitar formalmente sua extradição antes mesmo de sua chegada ao país. O pedido, feito pelo senador Luca Cipriani (Partido Democrático), alega que a congressista brasileira “incitou violência política” durante discursos gravados em eventos com simpatizantes na Itália.
O cerne da controvérsia
Zambelli, conhecida por seu alinhamento com o bolsonarismo, participou no mês passado de uma série de encontros com grupos de direita em Roma e Milão. Em um dos vídeos que circularam nas redes sociais, a deputada é vista afirmando que “o populismo é a única resposta à tirania globalista” — declaração que, segundo autoridades italianas, teria sido interpretada por grupos radicais como um chamado à resistência armada.
O caso ganhou proporções maiores quando um simpatizante de extrema-direita atacou um centro de imigrantes em Nápoles dois dias após um dos comícios, gritando palavras em português similares às usadas por Zambelli.
A reação da deputada
Em suas redes sociais, Zambelli classificou o pedido de extradição como “censura disfarçada de justiça” e acusou a esquerda italiana de tentar silenciá-la:
— “Não me calarei diante do globalismo. O que estão fazendo é um atentado à liberdade de expressão. Jamais incitei violência, apenas defendi a soberania dos povos”, escreveu.
Seu advogado, Rodrigo Rocha, anunciou que entrará com recurso junto à Justiça brasileira para impedir qualquer tentativa de cooperação jurídica internacional.
As implicações diplomáticas
O Itamaraty acompanha o caso com “cautela extrema”, segundo fontes do Ministério das Relações Exteriores. A pasta teme que o episódio reacenda tensões com o governo italiano, que já havia protestado oficialmente contra o Brasil em 2023 por causa de declarações do ex-presidente Bolsonaro sobre imigração.
Especialistas em direito internacional apontam que a extradição dificilmente prosperaria:
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O Brasil não costuma extraditar cidadãos por crimes de opinião
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Zambelli tem foro privilegiado como deputada federal
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As declarações foram feitas em território brasileiro (via transmissões online)
O jogo político por trás do caso
Analistas veem o episódio como parte de uma estratégia eleitoral:
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Na Itália: O Partido Democrático busca retomar o debate sobre o combate ao extremismo
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No Brasil: Zambelli fortalece sua imagem como “mártir” da direita radical antes das prévias do PL
O próprio partido da deputada já anunciou que usará o caso como bandeira em eventos públicos, começando por um ato programado para sexta-feira (7) em frente ao Consulado Italiano em São Paulo.
O que esperar agora?
Enquanto a Procuradoria-Geral da República analisa o pedido italiano, Zambelli segue com sua agenda de viagens — incluindo uma visita aos EUA marcada para julho. O episódio, longe de intimidá-la, parece ter dado novo fôlego a seu projeto político internacional. Resta saber até onde as consequências jurídicas poderão chegar.








